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LOS ANGELES

  • Foto do escritor: Noëlle Francois
    Noëlle Francois
  • 13 de jan. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de jul. de 2025

Um turbilhão de memórias me invade. Enquanto o mundo assiste desnorteado as chocantes cenas dos incêndios em Los Angeles, o céu é tingido de vermelho. A fumaça consome paisagens cinematográficas que antes pareciam eternas.


Incêndio em Los Angeles

Há apenas dois meses, eu caminhava por aquelas ruas absorvendo a energia vibrante da cidade. Os mesmos lugares agora ardem em labaredas impiedosas, transformando sonhos em mera lembrança. É como se a Los Angeles que eu conheci desaparecesse diante dos olhos do mundo, deixando um vazio cheio de ecos.


Parece que foi ontem que preguiçosamente eu caminhava pela praia de Malibu descalça. A água do mar molhava a barra da minha calça e, sem compromisso com a vida, eu admirava os surfistas fazendo de tudo para pegar a onda perfeita enquanto gaivotas sobrevoavam com elegância o horizonte. No famoso Píer, ao bater aquela fome, uma pausa no charmoso restaurante com vista esplendorosa do Pacífico. Na mesa atrás da minha, uma celebridade hollywoodiana almoçava – não! Nada de selfies ou autógrafos, respeito a privacidade, por favor. Mas confesso que me esbaldei em poder escutar a conversa, como quem se delicia com um segredo compartilhado pelo acaso.



Cartunista Walt Daves
Cartunista Walt Daves

Em um fim de tarde tranquilo, agora no Píer de Santa Monica, encontrei o cartunista Walt Daves. Tivemos um papo superdescontraído. Seus traços precisos e ligeiros imortalizavam Baloo e Suki em uma verdadeira obra de arte. O local vibrante, onde cores, sons e risadas se fundem, a diversidade de turistas de todas as idades e etnias, são atraídas pelos artistas de rua que tocam música ou fazem performances em busca de uns trocados. O cheiro da pipoca fresca e do algodão doce dos vendedores ambulantes se misturam com a brisa salgada do mar. A imensa roda gigante parece assistir tudo enquanto as ondas do Pacífico quebram na praia harmonizando com o burburinho da multidão.




Calçada da Fama
Calçada da Fama

Em outro dia, curtindo o ritmo desacelerado das férias, um passeio pela Calçada da Fama. Nela, imortalizei o livro do Scott com várias fotos feitas pela fotógrafa local, que capturava a essência de turistas como eu. Sem pressa, admirava no Chinese Theather e as tão conhecidas mãos feitas no cimento por atores famosos. Vagarosamente, passava entre elas lendo cada mensagem deixada. Cada inscrição conta uma história, uma memória deixada por mãos que marcaram as telas do cinema. Ao fundo, lá no alto, parecendo que nos observava, o majestoso letreiro escrito HOLLYWOOD. Que saudade daqueles dias!




Hoje, incrédula, observo as imagens devastadoras de Los Angeles em chamas. A cidade, consumida por um dos piores períodos de seca já registrados, é palco de um cenário desolador: a vida selvagem está sendo devastada, vítima de variações climáticas que carregam a marca do descaso humano.


Como amante da natureza, meu coração se parte ao imaginar os animais das montanhas tentando fugir em desespero; buscando refúgio onde pouco resta de seguro. Muitos não conseguem escapar. Veterinários trabalham incessantemente para socorrer os animais feridos por severas queimaduras; voluntários e equipes governamentais lutam para acolher a diversidade de seres que chegam em desamparo, como os cavalos, as vacas, veados, linces, coiotes, aves, répteis e tantos outros. Você pode imaginar que o desafio é colossal: realocar, alimentar, oferecer cuidados... e em tudo lidando com o estresse e medo que consomem essas criaturas.


Se em breve as milhares de casas serão reconstruídas, para os animais a realidade é bem cruel. Seus habitats foram banidos, o reflorescer da vegetação talvez não aconteça. São de verdade eles quem irão pagar o preço mais alto das mudanças climáticas que estão aniquilando o planeta – preço esse imposto pela imprudência humana. Sem abrigo, sem alimento, enfrentam um futuro incerto e sombrio.


Mais uma vez o aquecimento global castiga flora e fauna. Mesmo a população perdendo tudo, parece sonho distante que dirigentes tomem providencias quanto as questões climáticas. Quando haverá atitudes sérias e eficazes para ao menos frear os avanços dos impactos ambientais negativo gerado pelo ser humano? A resiliência da vida selvagem é notável, mas até ela tem seu limite. E quando esse limite for ultrapassado? Muitos estarão à beira da extinção.


E Los Angeles estará de pé novamente, mas é o nosso Planeta Terra que precisará de uma grande reconstrução.




 Consultoria e Revisão: Arthur Barbosa

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