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FONDUE VEGANO

  • Foto do escritor: Noëlle Francois
    Noëlle Francois
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Existem receitas que parecem esperar o inverno chegar. Basta a temperatura cair alguns graus para que a casa peça uma manta no sofá, uma taça de vinho, boas conversas e, inevitavelmente, um fondue fumegando no centro da mesa.


Sempre que os dias frios chegam, volto à temporada incrível que vivi nos Alpes Suíços. Não de avião, mas pela memória. Ainda consigo enxergar os chalés de madeira espalhados pelas montanhas, as janelas iluminadas contrastando com a neve do lado de fora e a fumaça desenhando o céu gelado ao sair das chaminés. Enquanto os bichanos permaneciam confortavelmente aquecidos, observando a neve cair através da janela, Scott e eu seguíamos pelos teleféricos que cruzavam as montanhas, quase sempre em busca de um chocolate quente servido nos pequenos cafés das estações de esqui. Havia algo naquele ritual que fazia o tempo caminhar mais devagar.


Aqui no Brasil, gosto de recriar um pouco dessa atmosfera sempre que as temperaturas caem. A lareira acesa volta a ocupar seu lugar, enquanto Baloo e Suki disputam discretamente o melhor espaço diante do fogo, dormindo profundamente, completamente indiferentes ao restante da casa.



Durante muito tempo, parecia que essa tradição pertencia apenas aos fondues carregados de queijo. A cozinha vegetal, porém, tem o hábito de desafiar certezas. Ela prova que é possível alcançar a mesma cremosidade, conforto e a generosidade de sabores sem abrir mão de nenhum desses pequenos rituais.


Porque, no fim, o protagonista nunca foi o queijo. Sempre foram as pessoas reunidas ao redor da panela, as conversas que atravessam a noite, as taças que voltam a se encher sem ninguém perceber, o pão desaparecendo aos poucos e aquela deliciosa sensação de que ainda não é hora de a noite terminar.


Acenda o réchaud. Sirva um bom vinho. Quem sabe, por algumas horas, sua mesa também encontre um pequeno caminho até os Alpes. Porque algumas viagens não começam quando fazemos as malas, mas quando um simples aroma desperta uma lembrança.


RECEITA


  • 2 xícaras de mandioquinha cozida

  • 1 colher de sopa de polvilho azedo

  • 4 colheres de sopa de levedura nutricional (opcional)

  • 1 colher de sopa de alho em pó

  • 5 colheres de sopa de azeite

  • 3 colheres de sopa de vinagre de maçã

  • ½ xícara e água

  • 1 xícara de vinho branco

  • 1 xícara de castanha de caju

  • Sal a gosto

  • Noz moscada a gosto

 

  Se você me perguntar qual é o único planejamento que vale a pena fazer para esta receita, eu diria: lembrar de colocar as castanhas de caju de molho na noite anterior. Elas ficam tão macias que o fondue ganha uma cremosidade de fazer inveja a muito queijo por aí.

           

Mas, como a vida nem sempre avisa quando bate aquela vontade de fondue, existe um plano B. Cozinhe as castanhas por 30 a 40 minutos, até ficarem bem macias. Ninguém precisa saber que você improvisou.

           

Enquanto isso, cozinhe a mandioquinha até ela ficar bem macia. Escorra a água e amasse-a rapidamente apenas para conseguir medir duas xícaras. Não se preocupe em deixá-la perfeita. O liquidificador (ou o mixer) vai cuidar do resto para você.

           

Agora coloque todos os ingredientes — menos o azeite — e bata até obter um creme completamente liso, daqueles que parecem um veludo e fazem você parar por um segundo para pensar: "isso já está com uma cara boa demais".

           

Despeje o creme na panela de fondue. Cozinhe em fogo médio, mexendo sempre, até começarem a surgir aquelas bolhas na superfície. É o jeitinho delicado que a receita encontrou para avisar que está pronta.

           

Desligue o fogo, acrescente o azeite e misture bem. Parece um detalhe pequeno, mas é ele quem dá o acabamento sedoso que faz toda a diferença.

           

Agora vem a melhor parte.

           

Leve a panela ao réchaud, reúna os amigos, coloque uma boa conversa na mesa e esqueça o relógio por algumas horas. O fondue tem esse efeito curioso: começa como uma receita e termina como uma desculpa perfeita para prolongar a noite.

           

Só um conselho: não economize no pão. Sempre existe alguém que diz: "Vou comer só um pedacinho..." e, misteriosamente, é justamente essa pessoa que pede para raspar a panela no final.

           

Os acompanhamentos são um espetáculo à parte. Eu adoro servir este fondue com tomate seco, berinjela defumada, batata assada no estilo rústico e um bom vinho. É uma combinação simples, mas que transforma qualquer noite comum em uma daquelas que a gente guarda na memória.

           

Talvez seja esse o maior encanto do fondue. Ele nunca alimenta apenas a fome. Alimenta a conversa, aproxima as pessoas e faz o tempo desacelerar por algumas horas.

 

As lembranças dos Alpes Suíços que inspiraram esta receita…


Mürren

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Zuoz

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Glacier 3000

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Grindelwald

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